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Coração

Vi o Coração quando jovem, quando puro,
rindo e sonhando dia e noite, noite e dia,
como se a Vida, a Morte, o claro e o escuro
se resumissem em prazer e alegria.

Hoje, velho e partido pela Vida amargurada,
sem glórias, sem ânsias, sem desejos,
vesano órgão, cambaleia pela estrada,
sem sonhos e algente de sobejo.

Melhor fora Coração não ter havido:
sem este ingrato o peito seria
de sentimentos e tramóias desprovido.

Antes, vi aurora de intensa euforia.
Agora, tendo a Vida esmorecido,
só vejo a Morte, lúgubre, sombria...
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Remisson
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jovem puro sonhando ingrato peito aurora euforia lugubre

2 comentarios

Zochi 18/12/2008 · 17:08

Remisson, me gust? leerte. Tus palabras me transportaron al Siglo de Oro y a Shakespeare. ?Puede ser o estoy alucinando? Uy, y perdon? que no te responda en portugu?s... A lo sumo opero el portu?ol, jejeje...

?Saludos, Remisson! Te seguir? leyendo.

Remisson autor 18/12/2008 · 17:57

Gracias, ZOCHI, por leerme. Es un placer para mi saber que te gustan mis poemas. Abrazo!